Tuesday, 24 June 2008

Hola, hola!
La reportera brazuca diretamente de Valência para o site mais tipocrático da web vem trazer as últimas do 3CIT.

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Domingo foi dia de voltar para casa, pegar trem ou avião e por isso o evento acabou cedo, com a última palestra às 12h00. Fecharam bem, com o Profº Gerard Unger, veterano tipógrafo holandês e criador da famosa Swift (curioso saber que ela é baseada nas formas de um pássaro que come, dorme e faz quase tudo voando, o tal swift). Unger contou sobre sua vontade de fazer algo diferente da Helvética, de quebrar um pouco com os padrões rígidos que regiam a estética holandesa, explicou seu método de trabalho (diretamente no computador, sem esboços) e mostrou um pouco de seu portfólio.

Sábado foi o dia com mais palestras próximas ao tema proposto, o tal de Glocal. Começo destacando a palestra de Vincent Connare, o criador da fonte mais versátil do mundo, uma que está em todas as cidades, em todos os lugares, do metrô à farmácia, nos mais variados produtos: a odiada Comic Sans. Como bem disse Marc Salinas ao apresentar Vincent, “quem poderia imaginar que o criador da Comic Sans tivesse essa cara?”. Realmente, nunca pensaria nesse tipo meio surfista, grisalho, óculos escuros na cabeça e vestindo preto. Moderninho até.

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Sua palestra foi ágil e engraçada. Ele se sente à vontade com o sucesso ao revés de sua criação e fez várias piadas sobre isso. Duro mesmo era ver as telas de sua apresentação, de tão feias chegavam a incomodar – sugiro uma olhada no seu site para contemplar um pouco do seu estilo e trabalhos. Ele explicou que desenvolveu a fonte mais odiada do planeta quando era funcionário da Microsoft com o objetivo de compor os balões de texto de um joguinho interativo chamado Microsoft Bob. Ao ver que o cachorrinho apresentador conversava com as crianças através de Times New Roman, Connare sugeriu a criação de uma letra nova, mais alegre e com cara de HQ.

Desenvolveu a fonte, segundo ele, inspirado na excelente HQ Watchmen (que em breve virará filme, mal vejo a hora). Como o projeto tinha um prazo apertado para ser lançado, acabou indo em Times New Roman mesmo só que a Microsoft gostou da fonte e acabou incluindo-a em seu pacote. Daí para dominar o mundo foi um pulo.

Curiosidades:
• A Disney quis comprar a fonte mas ele disse que não precisariam pagar. Doou para a empresa de diversões bilionária. De presente, recebeu uma foto do Mickey autografada.
• Acredita que a Comic Sans nem é tão ruim assim, afinal, foi até plagiada pela Apple, com a Chalkboard.
• Em um teste com disléxicos, a Comic Sans foi a tipografia que obteve a melhor legibilidade.
• Uma questão que tirava o sono de muita gente foi explicada: a letra “I” maiúscula é serifada para distinguir-se da “l” minúscula (!). Também porque está assim no lettering da Watchmen.

Ao ser perguntado se faria uma nova versão da Comic Sans, disse a frase que intitulava sua palestra: “No! I hate Comic Sans!”

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Também vi uma palestra que particularmente me tocou, a de Huda Smitshuijzen, uma libanesa incomodada com o descaso com a tipografia árabe que resolveu firmar uma parceria com tipógrafos holandeses e empreender uma coleção de fontes que fossem legíveis, modernas e ainda assim tradicionais. Interessante aprender que apesar da caligrafia excelente, os árabes não contam com muitas opções tipográficas - mais ainda em saber que holandeses desconhecedores da língua puderam criar, sob supervisão de Huda, alfabetos completos.

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Ainda no tema da globalização tipográfica em locais restritos, fugi da conferência da Eumográfic, “Diseño Editorial” (um design tão limpo e sóbrio que me aborreceu um pouco) e fui ver a ponencia do argentino Hernán Ordóñez, professor de tipografia no País Basco. Eu, como colega de profissão, tive uma inveja tremenda daquilo que este homem consegue que seus alunos façam. Conclusão: preciso ainda comer muito arroz e feijão. Além da ponencia, ele costuma fazer uma oficina (fez em Valência também) chamada “Ojo en la calle, señales de identidad”. Infelizmente, eu não tinha conhecimento da qualidade de seu trabalho e não participei… :(

Para terminar a noite, a conferência mais esperada pelo povo: Alex Trochut. Não se preocupe se você não o conhecer; eu mesma nunca tinha ouvido falar dele antes. Ele é o infant terrible catalão, um menino de 26 anos que em pouco tempo conquistou um espaço de prestígio no design espanhol. Dono de estilo próprio, ousado e modernoso, Trochut também é co-criador da tipografia Super Veloz, baseada nos trabalhos de seu avô (por sinal, há muitas semelhanças entre os trabalhos dos membros dessa família, à parte, claro, dos recursos tecnológicos).

E pela noite, festa de lançamento do site novo do Type-Ø-Tones, a primeira foundry digital da Espanha que andava sumida e resolveu se reapresentar em grande estilo.

Festas, letras, sono, tipografia, exposições, cansaço, novas amizades, aprendizado… assim foi para mim o 3CIT. E poder escrever estes posts foi uma experiência muito bacana, pude parar um tempinho para pensar em tudo que havia visto e me ajudou a assimilar melhor a quantidade de informação que vem de um evento como esse. Espero que tenha sido para quem leu uma experiência divertida como foi para mim fazê-los.

Fico por aqui e deixo minhas gracias ao Henrique pela confiança e oportunidade!

Um resuminho do evento sob uma visão puramente pessoal:

Pontos positivos
A organização do evento foi brilhante. A versão anterior teve problemas de horários gigantes e muita confusão. Neste, tudo funcionou como um relógio suíço e a única mudança na programação foi exposta a tempo e amplamente divulgada – a lousa como um mural de recados foi uma grande sacada. Além dela, dois outros meios de comunicação foram de grande valia, o um jornal diário que estava simpático e bem impresso e o site, atualizado a medida que ocorria o evento, com fotos e posts acertados.

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As palestras de Huda Smitshuijzen, Gerald Unger, Mario Eskenazi e Alex Trochut.

As ponencias de Andreu Balius sobre o ñ (podíamos fazer uma sobre o ç, alguém de habilita?); a do Cristian González e Dany Bellzerc sobre o Projeto Demo, que resultou na fonte Clara, e a de Hernán Ordóñez sobre como são suas aulas de tipografia no País Vasco. Queria ter vistos outras, mas ainda não posso estar em dois lugares ao mesmo tempo…

Pontos negativos
O Congresso tem como objetivo ser internacional, mas da linha do equador para baixo, nenhum conferencista convidado. De latino, só uma ponenciazinha solitária, a do projeto Demo, cujos palestrantes tiveram que arcar com todos os gastos da viagem e acomodação. A edição passada rejeitou o Crystian Cruz e o mundo latino ficou por inteira conta do Gabriel Meave. Enfim, vamos ver se agora começam a olhar com um pouco mais de cuidado para nosotros.

Palestrante ou apresentador de ponencia que lê, não dá para agüentar. Ainda mais pela manhã.

Mais positivos que negativos, entonces, ponto para o evento!

Adiós!

Ferdi

3CIT: dia1
Tipos Latinos na Europa
Fotos do congresso no Flickr.
Notas sobre as atividades no site do congresso.

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Por Henrique Nardi
24/06/08  •  Permalink  •  13 comentários
[português]


Saturday, 21 June 2008

Alô, alô, América do Sul!
La reportera brazuca volta com mais informações do CIT3 – 3º Congresso Internacional de Tipografia.

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O CIT ocorre a cada dois anos, sempre na cidade de Valência, na Escola Superior de Desenho Gráfico. É um projeto e grande esforço de organização de Raquel Pelta (professora, historiadora do design, agitadora cultural e de quebra, mulher de Andreu Balius) e também de Paco Bascuñan (designer, professor e pintor). Esta é a terceira edição. Na última também tive a felicidade em poder participar e assistir a palestras interessantíssimas, como a do Erik Spiekermann, Enrique Jardi e Andreu Balius. Foi quando vi pela primeira vez o trabalho de Gabriel Meave.

Para mim, parece um misto de evento feito para estudantes com um grande encontro dos bam-bam-bans do design espanhol. Um pouco como o N Design só que temático (se bem que falo de orelha, já que nunca fui a nenhum N – quase uma falha de caráter minha). É divertido, fala-se bastante sobre tipografia e dá para aprender muito.

Ontem foi a abertura e começou bem, com um café da manhã patrocinado pela Torraspapel, que também fez uma apresentação técnica sobre papéis. Nos corredores, pudemos apreciar uma exposição em homenagem a Enric Crous-Vidal sob a forma de cartazes feitos por essas figurinhas carimbadas.

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Logo depois, fomos convidados a ver uma leitura de um texto criado por Grassa Toro especialmente para o evento. Confesso que não entendi bem o porquê disso. O texto era divertido, super poético e tal, mas acho que muita gente preferiria ouvir uma conversa mais específica.

Passada a hora do almoço (e da siesta, o que dá no total umas 4 horas), precisávamos escolher entre a palestra de Mario Eskenazi e sessões que não sei como traduzir o termo. Chamam de ponencia e consiste em uma palestra com outras pessoas que não os conferencistas oficiais. Fiquei angustiada, havia tantas idéias bacanas para ver, só que acabei optando pelo standard, e não fui a única: o auditório estava lotado e tive de sentar no chão, espremida atrás de uma coluna. Mas valeu a pena.

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O Mario Eskenazi é um dos mais famosos designers na Espanha, tendo recebido o prêmio de melhor designer espanhol em 2000. Por incrível que pareça, é argentino e está radicado em Barcelona há mais de 20 anos. Seus trabalhos são limpos, funcionais e assim mesmo surpreendentes. Observamos algumas constâncias: a valorização da tipografia (all type sobretudo), a escolha de cores básicas (vermelho, verde e azul tradicionais) e a ausência quase absoluta de fotos. Um trabalho que não é autoral, até porque sabe trabalhar bem para um cliente e respeita um briefing, mas muito pessoal.

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A seguir, vi a apresentação do Profº Joannes Bergerhausen, do projeto Decodeunicode, onde ele fez um recorrido histórico sobre o manejo de fontes desde o princípio da era dos computadores até chegar ao Unicode, um sistema universal de codificação de caracteres.

Para fechar a noite bem, houve um coquetel no Museu de Ilustração e Modernidade (MUVIM) e inauguração da exposição do projeto Pimp the Type – ao pé da letra (olha que trocadinho bom!), significa algo como embeleze o tipo, um desafio para alguns designers convidados que tentaram enfeitar uma tipografia conhecida. Alguns trabalhos ficaram bem bacanas, bem criativos, outros patinaram feio, mas de toda a forma, a iniciativa foi bem interessante e confesso que fiquei com vontade de brincar também.

Bom, gente, vou ficando por aqui porque amanhã tem mais!

Ferdi

Por Henrique Nardi
21/06/08  •  Permalink  •  3 comentários
[português]


Friday, 20 June 2008

Alô, alô, rapaziada! É com imenso orgulho que me apresento neste prestigiado blog. Bom, na verdade acho que alguns já me viram em um post aí atrás, mas de qualquer forma vale a pena fazer a introdução, até porque nos veremos nos próximos dias.

Meu nome é Fernanda Henriques, mais conhecida como Ferdi, sou professora de Tipografia e Produção Gráfica e doutoranda em Comunicação e Semiótica. Estou na Espanha desde abril fazendo o que chamam de “doutorado sandwich”, ou seja, uma parte dos estudos em outro país.

Mais que professora, sou apaixonada por letrinhas e onde tiver coisa relacionada por tipografia, eu vou. Fui convidada pelo Henrique e pela Camila para ser uma espécie de repórter do evento que está acontecendo em Valência, o 3º Congreso Internacional de Tipografía – Glocal. Tipografía en la era de la globalización.

O congresso começa hoje, mas ontem fui lá fazer um curso e dei uma espiadinha em parte da montagem: qual não foi a minha surpresa ao ver uma área grande reservada para o nosso querido Tipos Latinos. Muito bacana ver a brazucaiada dando as caras neste evento internacional.

TL Espanha 1

TL Espanha 2

Melhor que ver os cartazes por aqui, só mesmo repassar o elogio feito por Josep Patau, um dos fundadores dos Unostiposduros (acredito que o maior portal sobre tipografia): “os latinos estão fazendo coisas inacreditáveis, são tipógrafos muito melhores que os espanhóis!”

É isso aí, gente! Em breve trago mais notícias.

Ferdi

Por Henrique Nardi
20/06/08  •  Permalink  •  Comente
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