Hola, hola!
La reportera brazuca diretamente de Valência para o site mais tipocrático da web vem trazer as últimas do 3CIT.

Domingo foi dia de voltar para casa, pegar trem ou avião e por isso o evento acabou cedo, com a última palestra às 12h00. Fecharam bem, com o Profº Gerard Unger, veterano tipógrafo holandês e criador da famosa Swift (curioso saber que ela é baseada nas formas de um pássaro que come, dorme e faz quase tudo voando, o tal swift). Unger contou sobre sua vontade de fazer algo diferente da Helvética, de quebrar um pouco com os padrões rígidos que regiam a estética holandesa, explicou seu método de trabalho (diretamente no computador, sem esboços) e mostrou um pouco de seu portfólio.
Sábado foi o dia com mais palestras próximas ao tema proposto, o tal de Glocal. Começo destacando a palestra de Vincent Connare, o criador da fonte mais versátil do mundo, uma que está em todas as cidades, em todos os lugares, do metrô à farmácia, nos mais variados produtos: a odiada Comic Sans. Como bem disse Marc Salinas ao apresentar Vincent, “quem poderia imaginar que o criador da Comic Sans tivesse essa cara?”. Realmente, nunca pensaria nesse tipo meio surfista, grisalho, óculos escuros na cabeça e vestindo preto. Moderninho até.

Sua palestra foi ágil e engraçada. Ele se sente à vontade com o sucesso ao revés de sua criação e fez várias piadas sobre isso. Duro mesmo era ver as telas de sua apresentação, de tão feias chegavam a incomodar – sugiro uma olhada no seu site para contemplar um pouco do seu estilo e trabalhos. Ele explicou que desenvolveu a fonte mais odiada do planeta quando era funcionário da Microsoft com o objetivo de compor os balões de texto de um joguinho interativo chamado Microsoft Bob. Ao ver que o cachorrinho apresentador conversava com as crianças através de Times New Roman, Connare sugeriu a criação de uma letra nova, mais alegre e com cara de HQ.
Desenvolveu a fonte, segundo ele, inspirado na excelente HQ Watchmen (que em breve virará filme, mal vejo a hora). Como o projeto tinha um prazo apertado para ser lançado, acabou indo em Times New Roman mesmo só que a Microsoft gostou da fonte e acabou incluindo-a em seu pacote. Daí para dominar o mundo foi um pulo.
Curiosidades:
• A Disney quis comprar a fonte mas ele disse que não precisariam pagar. Doou para a empresa de diversões bilionária. De presente, recebeu uma foto do Mickey autografada.
• Acredita que a Comic Sans nem é tão ruim assim, afinal, foi até plagiada pela Apple, com a Chalkboard.
• Em um teste com disléxicos, a Comic Sans foi a tipografia que obteve a melhor legibilidade.
• Uma questão que tirava o sono de muita gente foi explicada: a letra “I” maiúscula é serifada para distinguir-se da “l” minúscula (!). Também porque está assim no lettering da Watchmen.
Ao ser perguntado se faria uma nova versão da Comic Sans, disse a frase que intitulava sua palestra: “No! I hate Comic Sans!”

Também vi uma palestra que particularmente me tocou, a de Huda Smitshuijzen, uma libanesa incomodada com o descaso com a tipografia árabe que resolveu firmar uma parceria com tipógrafos holandeses e empreender uma coleção de fontes que fossem legíveis, modernas e ainda assim tradicionais. Interessante aprender que apesar da caligrafia excelente, os árabes não contam com muitas opções tipográficas - mais ainda em saber que holandeses desconhecedores da língua puderam criar, sob supervisão de Huda, alfabetos completos.

Ainda no tema da globalização tipográfica em locais restritos, fugi da conferência da Eumográfic, “Diseño Editorial” (um design tão limpo e sóbrio que me aborreceu um pouco) e fui ver a ponencia do argentino Hernán Ordóñez, professor de tipografia no País Basco. Eu, como colega de profissão, tive uma inveja tremenda daquilo que este homem consegue que seus alunos façam. Conclusão: preciso ainda comer muito arroz e feijão. Além da ponencia, ele costuma fazer uma oficina (fez em Valência também) chamada “Ojo en la calle, señales de identidad”. Infelizmente, eu não tinha conhecimento da qualidade de seu trabalho e não participei…
Para terminar a noite, a conferência mais esperada pelo povo: Alex Trochut. Não se preocupe se você não o conhecer; eu mesma nunca tinha ouvido falar dele antes. Ele é o infant terrible catalão, um menino de 26 anos que em pouco tempo conquistou um espaço de prestígio no design espanhol. Dono de estilo próprio, ousado e modernoso, Trochut também é co-criador da tipografia Super Veloz, baseada nos trabalhos de seu avô (por sinal, há muitas semelhanças entre os trabalhos dos membros dessa família, à parte, claro, dos recursos tecnológicos).
E pela noite, festa de lançamento do site novo do Type-Ø-Tones, a primeira foundry digital da Espanha que andava sumida e resolveu se reapresentar em grande estilo.
Festas, letras, sono, tipografia, exposições, cansaço, novas amizades, aprendizado… assim foi para mim o 3CIT. E poder escrever estes posts foi uma experiência muito bacana, pude parar um tempinho para pensar em tudo que havia visto e me ajudou a assimilar melhor a quantidade de informação que vem de um evento como esse. Espero que tenha sido para quem leu uma experiência divertida como foi para mim fazê-los.
Fico por aqui e deixo minhas gracias ao Henrique pela confiança e oportunidade!
Um resuminho do evento sob uma visão puramente pessoal:
Pontos positivos
A organização do evento foi brilhante. A versão anterior teve problemas de horários gigantes e muita confusão. Neste, tudo funcionou como um relógio suíço e a única mudança na programação foi exposta a tempo e amplamente divulgada – a lousa como um mural de recados foi uma grande sacada. Além dela, dois outros meios de comunicação foram de grande valia, o um jornal diário que estava simpático e bem impresso e o site, atualizado a medida que ocorria o evento, com fotos e posts acertados.

As palestras de Huda Smitshuijzen, Gerald Unger, Mario Eskenazi e Alex Trochut.
As ponencias de Andreu Balius sobre o ñ (podíamos fazer uma sobre o ç, alguém de habilita?); a do Cristian González e Dany Bellzerc sobre o Projeto Demo, que resultou na fonte Clara, e a de Hernán Ordóñez sobre como são suas aulas de tipografia no País Vasco. Queria ter vistos outras, mas ainda não posso estar em dois lugares ao mesmo tempo…
Pontos negativos
O Congresso tem como objetivo ser internacional, mas da linha do equador para baixo, nenhum conferencista convidado. De latino, só uma ponenciazinha solitária, a do projeto Demo, cujos palestrantes tiveram que arcar com todos os gastos da viagem e acomodação. A edição passada rejeitou o Crystian Cruz e o mundo latino ficou por inteira conta do Gabriel Meave. Enfim, vamos ver se agora começam a olhar com um pouco mais de cuidado para nosotros.
Palestrante ou apresentador de ponencia que lê, não dá para agüentar. Ainda mais pela manhã.
Mais positivos que negativos, entonces, ponto para o evento!
Adiós!
Ferdi
3CIT: dia1
Tipos Latinos na Europa
Fotos do congresso no Flickr.
Notas sobre as atividades no site do congresso.
]t[
Por Henrique Nardi
24/06/08 • Permalink •
[português]


Junho 24th, 2008 at 6:52 am
Oi Ferdi!
Parabéns pela ótima cobertura!
Muita informação para os primos pobres. Representô!
bjs
Junho 24th, 2008 at 6:58 am
Excelente matéria.
Eu trabalho com o Vincent e posso garantir que ele é um cara legal.
Fico feliz dele poder apresentar os bastidores da Comic Sans e se defender de análises superficiais.
Pelo review da palestra, parece que foi bem sucedido neste sentido.
AbraçÃO!!
Junho 24th, 2008 at 8:38 am
Opa, Lassalito! É nóis nas gringas!
Parece que “nosotros primos pobres” tivemos também um evento à altura, que o Tipos Latinos foi o máximo, né?
Besitos!
Junho 24th, 2008 at 8:43 am
Fábio,
O Vincent foi o rock star do evento, como bem disse o site do congresso. Todos queriam tirar fotos, abraçar e conversar com ele. Alguns elogios à fonte e palavras de apoio também foram feitos, afinal a Comic Sans também tem seus fãs, né?
O evento foi muito bom e credito o êxito à organização que neste ano foi impecável.
Abraços!
Junho 24th, 2008 at 9:27 am
Oi Ferdi!
Que legal. Ele está bem feliz e disse que este blog é que melhor está cobrindo o evento =P
Bom, agora que tal encerrar as disussões sobre a Comic Sans e falar sobre a mais nova fonte do Vinnie: Magpie
http://www.daltonmaag.com/browse/fonts/dama/magpie
O engraçado será que as pessoas que odeiam a Comic Sans provavelmente gostarão da Magpie, mas o contrário não.
Abraaaaaços
Junho 24th, 2008 at 11:25 am
Eu, como estudiosa da comic sans, afirmo que é um despautério o sr. Vincent dizer que a Chalkboard é uma cópia da Comic Sans. Tem briefings parecidos, mas é só. Ninguém copiaria fonte feita tão nas coxas, como ele mesmo admitiu. hehehe
Junho 24th, 2008 at 1:13 pm
Oi Gi!
Claro que a Apple não iria simplesmente copiar a Comic Sans e alterar alguns detalhes. Mas o conceito é o mesmo, não há como negar.
Eu imagino como tenha sido o briefing: “Bom gente, precisamos de uma fonte meio infantil no nosso MacOS, nós não temos nenhuma. Já utilizamos a Comic Sans no Apple iCards na web, e precisamos ter a nossa.”
Você ja visitou: http://www.connare.com/comic.htm
Nas ultimas 2 linhas tem uma comparação de ambas.
t’+
Junho 24th, 2008 at 1:30 pm
Concordo com vc, mas observe, no link q vc enviou ele diz:
’se a comic sans é ruim, pq fazer algo similar?’
Acontece q ninguem nunca disse (ou ao menos eu nunca disse) que se trata de uma demanda ruim. Ao contrário, as pessoas precisam de uma fonte ‘divertida’. O problema da Comic é q ela é MAL EXECUTADA, coisa que a Chalck não é. Simples assim.
O tal Vicente é um tosco. Só pq ele tem a fonte ‘divertida’ mais popular do mundo, não quer dizer que ela é a melhor. Ela é popular pq é bem distribuida. Mérito da Microsoft e não dele.
Junho 24th, 2008 at 2:09 pm
Oi Gi!!
>O tal Vicente é um tosco. Só pq ele tem a fonte ‘divertida’ mais popular do >mundo, não quer dizer que ela é a melhor. Ela é popular pq é bem >distribuida. Mérito da Microsoft e não dele.
Calma, calma… não entendi a sua irritação. Relaxe e vamos lá.
O Vincent nunca disse que ela tinha a melhor fonte do mundo. Nem a mais popular. Eu pelo menos nunca ouvi dele ou li em lugar algum isso.
Ela é extremamente popular por causa da distribuição? Com certeza, absoluta. Mas por causa disso ele “é um tosco”? Ela era funcionário da Microsoft e fez seu trabalho. Não é culpa dele que ela é usada tanto por dentistas como por tele-pizzas.
Agora num ponto terei que discordar de você, com toda educação possível.
Eu não considero ela uma fonte mal executada. Inclusive fiz agora uma comparação minuciosa de ambas, e por mais que seja dificil dizer o que é certo e errado em uma fonte manuscrita assim, vejo mais pontos positivos na CS do que na Chalkboard.
E olha que eu defendo a CS muito antes de ingressar na Dalton Maag. Quem me conhece sabe. Fiz até uma palestra no R Design Sul intitulada “Tipos de Amor e Ódio” onde defendi a CS entre outras que é melhor eu não falar aqui =P
Junho 24th, 2008 at 2:26 pm
Fabio,
Desculpe se pareci irritada ou mal-educada. Na real respondi o post por pura ‘farra’. não sou tipografa nem estudo tipografia a fundo. Tb já palestrei e já estudei a CS, e sei bem dos defeitos dela. Sobre a Chalk, não posso afirmar, pois nunca parei pra analisar com calma.
Mas voltando ao ponto q quis tratar no coment anterior, e acho q vc concorda comigo, de maneira nenhuma a Chalk é copia da CS. Embora lendo a aspa do Vincent q eu destaquei acima pode parecer q é isso q ele quer dizer. Na verdade a tal aspa é o tipo de frase q não acrescenta nada à discussão, só desvia, oq me faz não simpatizar com o cara, rs.
Sem mágoas,
abraços
Junho 24th, 2008 at 2:52 pm
Oi Gi!!
Tranquilo, sem mágoas ; )
É legal de ver e poder participar dessas discussões. Sei que o Nardi ta adorando a movimentação no blog.
>já estudei a CS, e sei bem dos defeitos dela. Sobre a Chalk, não posso >afirmar, pois nunca parei pra analisar com calma.
Eu continuo achando ela tecnicamente uma fonte muito boa. Como eu disse antes, é muito difícil avaliar o certo x errado numa fonte deste estilo. Estou curioso para ouvir os detalhes da sua análise.
>Mas voltando ao ponto q quis tratar no coment anterior, e acho q vc >concorda comigo, de maneira nenhuma a Chalk é copia da CS. Embora >lendo a aspa do Vincent q eu destaquei acima pode parecer q é isso q ele >quer dizer.
As palavras dele são “criar algo similar”. Similar não é cópia, ainda mais em typdesign. E não há como negar que elas são similares.
Forte abraço!!
Junho 24th, 2008 at 4:01 pm
Pode ser que tamanho êxito se deva ao fato de ser a única “divertida” do catálogo windows, por ter sido pioneira em ousadia, pq sua distribuição é ampla, pq tem um pacto com o diabo… Enfim, muitas possibilidades, mas de concreto mesmo é que passados 20 anos continua sendo escolhida por tanta gente diferente.
Ah! Obrigada pelo elogio à cobertura! Você a traduziu para ele?
Abraços a todos
P.S: Pq a CS sempre provoca embates calorosos? Hmmmm, o pacto com o diabo faz sentido…
Junho 25th, 2008 at 8:32 am
Gostem ou não do trabalho dele, o fato é que o Vincent Connare é uma figura importante nesse meio, que tem seu mérito. O problema não é a Comic Sans, mas o mal uso que se faz dela. Para o contexto com que foi projetada parece funcionar muito bem. O problema aparece quando tentam usá-la como solução para tudo, só porque é uma fonte “bonitinha”. A infantilidade parte do cara que usa dessa maneira, seja em diplomas (o meu certificado de colação de grau em Design, por exemplo, veio em Comic Sans), em cardápios, em cartazes de “divido apartamento” e por aí vai.
Mas a fonte em si é legal. Ficou cansativa apenas por causa dessa banalização através de usos pouco adequados.
Parabéns pela reportagem!
Abraços.